quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Manifestos virtuais contra exoneração de diretor no IFF Cabo Frio*

Leonardo Barros

        Os movimentos estudantis já conseguiram feitos importantes no Brasil, como a luta pelas “Diretas Já” e o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Em uma época em que a internet move o mundo, até mesmo essas manifestações são levadas para o “mundo virtual”. Em Cabo Frio, após a exoneração do diretor geral do campus do Instituto Federal Fluminense (IFF) do município, César Dias — ocorrida no dia 28 de dezembro, data em que os alunos já estavam em período de férias — os estudantes mostraram indignação com a atitude, que eles consideram como “tirânica” por parte da reitoria do IF Fluminense. Cartas de repúdio do Grêmio Estudantil da unidade e de alunos invadiram a internet, sendo postados em blogs. Em meio às discussões cobrando democracia na escolha do novo diretor, a reitora Cibele Daher anunciou, na terça-feira, o nome da professora Romilda de Fátima Suinka como substituta de César Dias, em comunicado aos funcionários do IFF postado no site do Instituto.
        — Ficamos muito surpresos com a notícia da exoneração, principalmente por ter sido em uma data em que os alunos já estavam em férias. Assim que recebemos a notícia, eu e outros companheiros do Grêmio Estudantil fomos ao IFF. Chegamos a nos encontrar com a Romilda, dia 31, quando conversamos, e esperamos uma reunião com a reitora. Nossa briga não é defender a permanência do César, mesmo ele tendo desempenhado um serviço muito bom no campus, mas sim em brigar para que a democracia seja respeitada aqui — disse o presidente do Grêmio, Thomas Speroni, 17 anos, relatando também que, em nenhum momento, os alunos de Cabo Frio foram pressionados para fazer campanha para um ou outro candidato ao Conselho Superior.
        O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Tecnológica (Sinasefe), Paulo César Marques, o Caxinguelê, acredita que a mudança respeita outros interesses.
        — Acontece é que o funcionário que não faz campanha para a reitoria pode sofrer retaliações. Na cabeça deles, isso deve ter acontecido em Cabo Frio. Guarus, que também é um campus novo, elegeu um professor para o Conselho Superior e não sofreu com esses problemas — explicou Caxinguelê.




Referência ao caso em nota oficial


        A reitora do IF Fluminense, Cibele Daher, disse à reportagem da Folha, por telefone, que tudo o que tinha para relatar sobre o caso da exoneração do diretor do campus do IFF de Cabo Frio, César Dias, foi expressa no comunicado enviado para todos os funcionários do Instituto e postado no site, no qual ela também anunciou o nome da nova reitora local, a professora Romilda de Fátima Suinka, que respondia pela pré-reitoria de ensino da unidade.
        “Para que nosso Instituto se fortaleça verdadeiramente é preciso que aprendamos a atuar de forma sistêmica, o que só é possível quando se estabelece uma relação de parceria e confiança, o que, infelizmente, não vinha acontecendo. É preciso trazer o campus Cabo Frio para mais perto e realizarmos um trabalho de forma mais conjunta, o que, sem dúvida, vai tirar o campus do isolamento no qual se encontra. Agradeço ao professor César Dias pela contribuição, mas é hora de iniciarmos o novo biênio com novas perspectivas neste sentido”, afirmou a reitora Cibele no comunicado.



*Matéria publicada no jornal Folha da Manhã no dia 06 de janeiro (disponível virtualmente no Folha da Manhã Online - para ter acesso às reportagens, é necessário fazer cadastro)


Nenhum comentário:

Postar um comentário




"Obriga-o a compor a mentira alheia para a usar como se fosse a própria verdade. Permeiam a nossa obediência, castigam a nossa inteligência e desalentam a nossa energia criadora. Somos opinados, mas não podemos ser opinadores. Temos direito ao eco, não à voz, e os que mandam elogiam o nosso talento de papagaios. Nós dizemos não: nós negamo-nos a aceitar esta mediocridade como destino.
Nós dizemos não ao medo. Não ao medo de dizer, ao medo de fazer, ao medo de ser. O colonialismo visível proíbe dizer, proíbe fazer, proíbe ser. O colonialismo invisível, mais eficaz, convence-nos de que não se pode dizer, não se pode fazer, não se pode ser. E neste estado de coisas, nós dizemos não à neutralidade da palavra humana. Dizemos não aos que nos convidam a lavar as mãos perante as quotidianas crucificações que ocorrem ao nosso redor. À aborrecida fascinação de uma arte fria, indiferente, contempladora do espelho, preferimos uma arte quente, que celebra a aventura humana no mundo e nela participa, uma arte irremediavelmente apaixonada e briguenta."

GALEANO, Eduardo, Nós Dizemos Não, Editora Revan, Brasil, 1990.