domingo, 3 de janeiro de 2010

Uma sacanagem



        É com o título dessa redação que eu consigo definir o que nossa Reitora fez com o diretor César. Com uma jogada magnífica, essa coisa disfarçada de mulher conseguiu afastar um homem que tratava o Campus Cabo Frio como um filho do seu devido lugar.
        Esse filho crescia rápido demais, talvez a Reitora não goste de ver crianças felizes. Outros campi que nasceram junto com o Campus Cabo Frio continuam recém nascidos, sem qualquer tipo de crescimento comparado ao nosso, os diretores desses campi parecem estar aproveitando o verão.
Acharia, no mínimo, digno, eleições para diretor do nosso Campus, mas a democracia está morta para nós. A Reitora já nomeou Romilda para o cargo de diretora.
        Quando passei no Processo Seletivo desse Instituto, nunca imaginei que meu futuro pudesse ser atrapalhado por política. É trágico ver uma “pessoa” destruindo tudo o que um grande homem construiu e ainda pretendia construir. Imagino como seria fascinante o ‘Sal da Ciência’, um projeto lindo desenvolvido por César e sua equipe. Mesmo com a verba já disponível pelo Governo Federal, a Reitora não liberou a construção desse projeto. A pergunta que fica é: Qual o motivo dessa não liberação? A resposta é simples, porém, nojenta: Política.
        De tão maléfica que essa Reitora é, ela esperou o dia 28 de dezembro para anunciar a demissão de César. Justo na época em que todos os alunos e funcionários estão curtindo suas merecidas férias. Porque ela não esperou até o dia 22 de fevereiro com todos os alunos e funcionários na escola? Tire suas próprias conclusões.
        Lembro que no ano de 2008, eu, Thomas e Thiago (agora estudantes do Campus Cabo Frio) participamos de um torneio de paródias, cujo tema era democracia. Torneio disputado no Colégio Municipal Paulo Freire, nosso colégio em 2008. Durante uma manhã de sábado, todas as paródias foram apresentadas, respiramos democracia. Ganhamos o torneio. Saudades daquela manhã de sábado. Consigo imaginar agora uma simples regra de três: nossa paródia sobre democracia está para Reitora assim como uma cruz está para um vampiro.
        Talvez possam reclamar de algumas palavras dessa redação, mas tenho plena certeza que isso é o que todos pensam. Não escreveram de tal forma por serem do Grêmio e por isso devem o mínimo de respeito à Reitora. Acredito que tudo o que o presidente do Grêmio queria era essa liberdade para escrever.
        Não me silenciarei, espero que o restante dos alunos também esteja pensando assim.


Pedro Kapler Silva, aluno do Curso Técnico Integrado em Petróleo e Gás.



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"Obriga-o a compor a mentira alheia para a usar como se fosse a própria verdade. Permeiam a nossa obediência, castigam a nossa inteligência e desalentam a nossa energia criadora. Somos opinados, mas não podemos ser opinadores. Temos direito ao eco, não à voz, e os que mandam elogiam o nosso talento de papagaios. Nós dizemos não: nós negamo-nos a aceitar esta mediocridade como destino.
Nós dizemos não ao medo. Não ao medo de dizer, ao medo de fazer, ao medo de ser. O colonialismo visível proíbe dizer, proíbe fazer, proíbe ser. O colonialismo invisível, mais eficaz, convence-nos de que não se pode dizer, não se pode fazer, não se pode ser. E neste estado de coisas, nós dizemos não à neutralidade da palavra humana. Dizemos não aos que nos convidam a lavar as mãos perante as quotidianas crucificações que ocorrem ao nosso redor. À aborrecida fascinação de uma arte fria, indiferente, contempladora do espelho, preferimos uma arte quente, que celebra a aventura humana no mundo e nela participa, uma arte irremediavelmente apaixonada e briguenta."

GALEANO, Eduardo, Nós Dizemos Não, Editora Revan, Brasil, 1990.