quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cibele vai a Cabo Frio conversar com alunos*

Leonardo Barros


        Após manifestos dos alunos, a reitora Cibele Daher esteve, na tarde de quinta-feira, no campus Cabo Frio do Instituto Federal Fluminense (IFF) para responder as questões levantadas pelos estudantes depois da troca de diretor da unidade, no último dia 28, quando o professor César Dias foi exonerado, sendo substituído pela professora Romilda Suinka de Campos. A reunião contou com três representantes do Grêmio Estudantil e, depois, aproximadamente 15 funcionários do campus conversaram com a reitora.
        — A reunião foi muito boa. Expliquei que, de acordo com a lei dos Institutos, os membros de um campus só podem escolher seu diretor após cinco anos. Tenho o direito de escolher os meus colaboradores, agradeci muito ao professor César Dias e sua equipe pelo trabalho, mas acho que faltou o diálogo com a reitoria. Por isso fiz a mudança — disse Daher, concluindo que a primeira reunião do Conselho Superior será realizada no dia 21 de janeiro, em Campos.
        De acordo com o presidente do Grêmio, Thomas Speroni, os alunos puderam esclarecer alguns pontos, mas outros ficaram sem resposta.
        — A reitora reafirmou que o César foi exonerado devido ao distanciamento entre o campus e a reitoria. Quando indagamos sobre motivos políticos diante da pouca votação na eleição do Conselho, ela negou dizendo que a exoneração foi por motivos institucionais. Alguns pontos não foram esclarecidos, mas a Cibele disse que poderá voltar para conversar com os alunos — completou Thomas.


*Matéria publicada no jornal Folha da Manhã no dia 08 de janeiro (disponível virtualmente no Folha da Manhã Online - para ter acesso às reportagens, é necessário fazer cadastro)


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"Obriga-o a compor a mentira alheia para a usar como se fosse a própria verdade. Permeiam a nossa obediência, castigam a nossa inteligência e desalentam a nossa energia criadora. Somos opinados, mas não podemos ser opinadores. Temos direito ao eco, não à voz, e os que mandam elogiam o nosso talento de papagaios. Nós dizemos não: nós negamo-nos a aceitar esta mediocridade como destino.
Nós dizemos não ao medo. Não ao medo de dizer, ao medo de fazer, ao medo de ser. O colonialismo visível proíbe dizer, proíbe fazer, proíbe ser. O colonialismo invisível, mais eficaz, convence-nos de que não se pode dizer, não se pode fazer, não se pode ser. E neste estado de coisas, nós dizemos não à neutralidade da palavra humana. Dizemos não aos que nos convidam a lavar as mãos perante as quotidianas crucificações que ocorrem ao nosso redor. À aborrecida fascinação de uma arte fria, indiferente, contempladora do espelho, preferimos uma arte quente, que celebra a aventura humana no mundo e nela participa, uma arte irremediavelmente apaixonada e briguenta."

GALEANO, Eduardo, Nós Dizemos Não, Editora Revan, Brasil, 1990.